Medição individualizada de água podem ajudar o Brasil a ser mais sustentável

Soluções tecnológicas de medição individualizada e dispositivos de redes inteligentes podem ajudar o País a melhorar o gerenciamento da distribuição e o consumo de água no médio e longo prazo.

Um novo estudo do Instituto Trata Brasil aponta que os impactos das mudanças climáticas e do desenvolvimento econômico e demográfico vão fazer com que a demanda por água potável cresça 43,5% por cento até 2040 em todo o Brasil.

Segundo o relatório do estudo, o consumo no território nacional deve atingir 14,299 bilhões de m³ em 2040, o que representa um aumento de 2,837 bilhões de m³ se comparado a 2017.

O estudo foi criado para preparar as gestões pública e privada para melhor projetar a utilização da água durante as próximas décadas, uma vez que se trata de um recurso cada vez mais escasso.

Dados de 2018 do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) mostram uma situação preocupante no uso da água no Brasil: 40% da água potável é perdida por conta de vazamentos e falta de precisão na medição, gerando um custo de R$ 12 bilhões por ano para o setor.

Medição individualizada da água como solução para o futuro
Tecnologias de medição individualizada são hoje opções disponíveis para a economia e o consumo inteligente do recurso e podem ser implementadas tanto no segmento corporativo quanto no doméstico.

 

No caso do mercado corporativo, o maior interesse pela medição individualizada pode atender duas demandas: otimização de custos e pela necessidade de conhecer o perfil do consumo de água do negócio e, assim, gerenciar o uso e combater o desperdício ao mesmo tempo.

Com o sistema é possível monitorar todo o setor produtivo da indústria e saber, em detalhes, qual o consumo em cada etapa da operação. Os resultados permitem ao empresário melhorar os processos, reduzir o desperdício no uso de água, ter maior controle e, como resultado final, além de benefícios ambientais, diminuir os custos de fabricação do produto.

No mercado doméstico, com a instalação de um moderno medidor que permite a leitura individualizada do gasto com água nos apartamentos em um prédio ou condomínio, a conta passa a não ser mais conjunta e cada condômino paga exatamente o valor da água consumido. A tecnologia pode ser instalada também em residências e permite ainda identificar vazamentos que podem ocorrer à noite, o que evita o desperdício e custos extras.

Redes inteligentes para as concessionárias de água
Visando melhorar a eficiência da distribuição da água nas cidades, existem hoje soluções tecnológicas chamadas de smart water.

A tecnologia visa promover a sustentabilidade e aumentar a eficiência no sistema de distribuição de água de concessionárias e com isso evitar o desperdício nas adutoras.

Por medição remota, ela permite controlar e atuar em todo o fluxo de distribuição de acordo com a operação da concessionária, de forma integrada, sendo inclusive possível acompanhar eventuais vazamentos e desperdícios em tempo real.

“Já se percebem reduções de custos significativas com o uso dessa tecnologia mundo afora. Essa economia pode ser revertida em melhorias na rede ou mesmo na redução de valores de alguns serviços”, afirma Octavio Brasil, Gerente da CAS Tecnologia.

 

 

 

Quarentena poderá aumentar consumo residencial de água e energia

Alerta é de especialistas, que recomendam mudança de hábitos

O isolamento social, adotado como medida para conter a disseminação do novo coronavírus (covid-19), tende a aumentar o consumo residencial de água e de energia elétrica. Apesar de, até o momento, não haver números oficiais em âmbito nacional sobre o impacto da doença nas contas pagas por esses serviços, especialistas consultados pela Agência Brasil estimam que, dependendo do comportamento dos consumidores, o valor a ser pago poderá aumentar, em média, entre 10% e 20%.

A expectativa é de que, diante da nova situação, haja também uma mudança nos hábitos dos consumidores residenciais, na direção de um consumo mais racional, consciente e econômico dos recursos naturais, o que possibilita, inclusive, a redução dos valores a serem pagos por esses serviços.

“Acreditamos que esse momento será de grande aprendizado para quando tudo passar e que uma nova consciência de consumo e de comportamento permanecerá. Estaremos sempre muito mais atentos a novas possibilidades de hábitos e mais conscientes quanto ao uso racional e econômico dos recursos naturais”, disse Octávio Brasil, da CAS Tecnologia, empresa que atua no desenvolvimento de soluções para redes de água e energia.

Mudança no padrão de consumo

Segundo Octávio Brasil, diante das mudanças de rotina causadas pela covid-19, houve uma mudança no padrão de consumo, com forte redução de demanda no comércio e na indústria e crescimento do setor residencial.

“Normalmente nem todas as pessoas têm uma boa percepção de seu consumo de energia, água e gás. Elas sabem quanto pagam, mas raramente conhecem o motivo e como fazer para economizar. Nesse momento, com muita gente trabalhando em casa, surpresas podem ocorrer, pois é natural que o consumo seja alterado por causa do maior tempo de permanência nas residências”, disse.

O especialista no entanto pondera que tudo depende do comportamento de cada consumidor. “Alguns, com preocupações financeiras devido a uma possível redução de renda, podem estar mais atentos a todos os tipos de gastos. Outros, trabalhando em regime de home office, além da permanência de toda a família em casa, podem ter alterações entre 10% e 20% nessas contas. Mas, isso também depende do tamanho da família e da quantidade de pessoas que residem no mesmo local”.

Tarifa Branca

Octávio Brasil sugere, no caso da conta de energia, medidas que vão além do uso consciente, para evitar o desperdício. “É possível, ao consumidor, avaliar se é vantagem aderir à Tarifa Branca, pois o custo da energia é mais barato nos horários fora de ponta”, referindo-se a essa modalidade vantajosa para aqueles que possam deslocar parte considerável do seu consumo de energia nesses períodos.

“Com a adoção [da Tarifa Branca], é possível ter uma economia na conta de energia de até 17%”, acrescenta.

Criada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Tarifa Branca começou a vigorar em janeiro de 2020 para todos consumidores de baixa tensão (em geral, residências e pequenos comércios).

Nela, o valor da tarifa de energia varia de acordo com o horário do seu consumo. Nos dias úteis, o preço pago pela energia é dividido em três faixas horárias de consumo. No horário de ponta (17h30 às 20h30), a tarifa fica mais cara que a tarifa convencional. Na faixa intermediária (16h30 às 17h30, retornando das 20h30 às 21h30), o custo também é maior.

Já no horário fora de ponta (das 21h30 às 16h30 do dia seguinte), a tarifa para o consumidor é mais barata se comparada à cobrada no modelo tradicional. Sábados, domingos e feriados contam como tarifa fora de ponta nas 24 horas do dia.

Consumidores interessados em aderir a essa modalidade de tarifa precisam entrar em contato com a concessionária de energia de sua região. De acordo com a CAS Tecnologia, em um prazo de 30 dias será instalado um novo medidor na unidade consumidora. A empresa, no entanto alerta que é preciso atenção. “Se a energia for utilizada durante o horário de ponta, a tarifa pode ficar até 83% mais cara”.

Conta de água

No caso da conta de água, especialmente nos condomínios, Octávio Brasil sugere a adoção de um sistema de medição individualizada, por ser mais justo porque o valor pago é correspondente ao consumo de cada residência, de forma a evitar que o custo do consumo excessivo de uma unidade acabe sendo arcado pelos demais condôminos.

Um levantamento apresentado pela CAS, feito pelo Grupo Hupert, que administra condomínios, aponta que o gasto com água é a segunda maior despesa dos condomínios, abaixo apenas de mão-de-obra e encargos. Ele responde por cerca de 15% do total dos gastos do condomínio. Tendo por base esse estudo, a CAS estima que, com a individualização do consumo de água, a economia gerada na conta do condomínio pode chegar a 35%.

“Como a conta de água é dividida entre todos os apartamentos, é muito mais difícil combater o desperdício, já que o morador não sente no bolso a diferença entre gastar e poupar”, acrescenta o especialista em medição individualizada da CAS, Marco Aurélio Teixeira.

 

 

Quarentena poderá aumentar consumo residencial de água e energia

Energia Elétrica Luz

O valor a ser pago pelo consumo poderá aumentar, em média, entre 10% e 20% (Imagem: Pixabay)

O isolamento social, adotado como medida para conter a disseminação do novo coronavírus (covid-19), tende a aumentar o consumo residencial de água e de energia elétrica.

Apesar de, até o momento, não haver números oficiais em âmbito nacional sobre o impacto da doença nas contas pagas por esses serviços, especialistas consultados pela Agência Brasil estimam que, dependendo do comportamento dos consumidores, o valor a ser pago poderá aumentar, em média, entre 10% e 20%.

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Gastos com energia e água podem aumentar durante quarentena

 

A permanência das pessoas em casa por causa do isolamento social deve aumentar os gastos e as contas de energia elétrica para as famílias, sobretudo daquelas que estão em regime de home office. Outro recurso fundamental e que deve ser intensificado nas residências é o uso da água.

A quarentena é uma boa oportunidade para repensar os hábitos de consumo desses dois recursos essenciais para o cotidiano das pessoas.

 

Desde o início do ano, os consumidores têm uma opção diferenciada de cobrança do consumo de energia elétrica: a tarifa branca. A modalidade foi criada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com um valor que varia de acordo com o horário do seu consumo. Ela entrou em vigor em janeiro de 2020 para todos os consumidores conectados em baixa tensão como, por exemplo, residências e pequenos comércios.

O preço da energia, nos dias úteis, é dividido em três faixas horárias de consumo. No horário de ponta (17h30 às 20h30), a tarifa fica mais cara que a tarifa convencional. Na faixa intermediária (16h30 às 17h30, retornando das 20h30 às 21h30), o custo também é maior.

Entretanto, no horário fora de ponta (21h30 até 16h30 do dia seguinte), a tarifa para o consumidor é mais barata se comparada à cobrada no modelo tradicional. Sábados, domingos e feriados contam como tarifa fora de ponta nas 24 horas do dia.

“Como as pessoas geralmente trabalham fora o dia todo, acabam não tendo tempo para analisar o gasto com a energia utilizada em casa, como o chuveiro elétrico, ar condicionado, ferro elétrico, aspirador de pó e máquina de lavar. Mas, nestes dias de reclusão obrigatória, surge uma boa oportunidade para repensar e planejar mudanças de hábitos que tragam economia nas contas básicas, inclusive para depois que a quarentena terminar”, disse Octavio Brasil, gerente de marketing da CAS Tecnologia, empresa de medidores inteligentes.

A tarifa branca pode ser vantajosa para pessoas que possam deslocar parte considerável do seu consumo de energia nos períodos fora de ponta. Com a adoção, é possível ter uma economia na conta de energia de até 17%.

Para fazer o pedido de adesão, é preciso que o consumidor entre em contato com a concessionária de energia de sua região. Em trinta dias, um novo medidor de energia será instalado na residência ou comércio. Porém, é preciso atenção: se a energia for utilizada durante o horário de ponta, a tarifa pode ficar até 83% mais cara

Os percentuais citados (possibilidade de economia ou o risco de aumento se o consumo for concentrado em horário de ponta e fora ponta) podem variar conforme os hábitos das unidades consumidoras.

Água mais barata

Outro item fundamental que pode ter seu consumo melhor avaliado é a água. Quem mora em edifícios geralmente se preocupa menos com o recurso, porque o valor da conta de água é compartilhado entre todos os moradores. O gasto com água é a segunda maior despesa dos condomínios, em torno de 15% em média, abaixo apenas de mão-de-obra e encargos.

Com a população em quarentena em seus apartamentos, o custo da água tende a ser maior para os edifícios. Uma solução é a individualização de água. Com a medida, a economia gerada na conta do condomínio pode ser de até 35%.

“Como a conta de água é dividida entre todos os apartamentos, é muito mais difícil combater o desperdício, já que o morador não sente no bolso a diferença entre gastar e poupar. Além disso, o sistema também é injusto, pois quem evita o desperdício acaba pagando mais pelos moradores que fazem uso da água em demasia”, destacou Marco Aurélio Teixeira, especialista em medição individualizada da CAS Tecnologia.

 

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Medição individual economiza água e reduz gastos

No Dia Mundial da Água (22 de março), essa tecnologia pode ser uma alternativa contra o desperdício.

Embora seja naturalmente renovável, a água potável do planeta é um recurso finito. O brasileiro consome em média 154 litros de água diariamente – 44 litros acima do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Em tempos de escassez é necessário o uso consciente da água e a preservação do meio ambiente. Atualmente o processo tecnológico de medição individualizada é uma das melhores alternativas para atender as duas frentes dessa questão: a necessidade de abastecimento dos grandes aglomerados urbanos e a preservação de nascentes, rios e reservatórios.

Hoje já existe lei que obriga as construtoras a entregarem as unidades preparadas para a Medição Individualizada e a partir de 2021, entra em vigor a lei federal 13.312/Jul- 2016 que determina a entrega das unidades com o sistema funcionando.

Apesar do modelo de redes inteligentes não ser tão evoluída no Brasil, como já acontece no fornecimento de energia elétrica, existem ações em diversos países para implantar soluções de medição para monitoramento e controle preventivo do desperdício, tanto para preservar quanto para reduzir a conta mensal do consumidor.

Em princípio a medição individual de água: é uma forma de “medir” o consumo de água de cada apartamento ou loja, para que cada unidade pague apenas pelo volume efetivamente consumido – e não de forma rateada, em que uns pagam pelo consumo de outros.

O volume de chuvas em algumas regiões do Brasil nas últimas semanas, pode passar uma falsa impressão de que não há falta para o abastecimento, principalmente nas regiões metropolitanas. Na verdade, a produção de água potável está cada vez mais cara, exigindo elevados investimentos de governos e concessionárias para trazer o insumo de lugares cada vez mais distantes. Uma das formas de economizar na conta de água nas grandes cidades é a individualização da cobrança em edifícios residenciais, shoppings e diversas empresas, porque estabelece justiça no consumo ao permitir que cada família ou comércio saiba exatamente quanto gastam (podem controlar o consumo por meio de um aplicativo), e consiga economizar – acima de 20% na conta principal, em média.

Para compreender melhor essa questão, o Portal C3 conversou com Marco Aurélio Teixeira, gerente de negócios de uma empresa de tecnologia e gestão da medição do consumo de água, gás e energia.

 

Portal C3 – A Individualização da cobrança da água é um modelo seguro e de fácil adaptação aos moradores?

M.A. Teixeira – Sim, a confiabilidade é como outros tipos de medições individualizadas já existentes, como numa casa, por exemplo. Para os edifícios onde a construtora deixou a previsão de instalação dos medidores, a facilidade é maior. Já para os projetos mais antigos, pode ser necessário fazer alguma obra para adequação hidráulica.

Quanto à facilidade de adaptação por parte dos consumidores, certamente, quando se implementa um sistema mais justo, as pessoas passam a ter mais conhecimento sobre seus dados individuais de consumo, mais independência para economizar e mais consciência com o meio ambiente.

 

Portal C3 – Quais são as obrigações da contratada na prestação de serviços de instalação, leitura, prazos e manutenção?

M.A. Teixeira – Para a instalação é combinado, contratualmente, um prazo de implementação conforme orçamento prévio que especifica os tipos de serviços e equipamentos a serem utilizados em cada projeto. Além disso, a contratada possibilita leituras diárias, disponibiliza o acesso ao sistema para os gestores, o acesso individual aos consumidores – via APP – e compartilha os fechamentos mensais junto às administradoras.

As leituras não são realizadas apenas uma vez por mês, mas são realizadas remotamente várias vezes ao dia, permitindo que o morador acompanhe, via aplicativo, seus dados de consumo, que defina sua meta e verifique se há alguma suspeita de vazamento.

Sistemas inteligentes de análise dos dados emitem alertas configuráveis. É a tecnologia e os sistemas de comunicação IoT a favor do consumidor e das empresas de serviços públicos.

Havendo necessidade de manutenção, após o período de garantia, passa a ser responsabilidade do condomínio, assim como todas as outras despesas mensais (manutenção de elevador, iluminação, limpeza, etc.)

Portal C3 – Se o condomínio preferir ou tiver condições, o que precisa ser feito para a emissão de conta diretamente pela Sabesp?

M.A. Teixeira – Em primeiro lugar, o condomínio deve contratar uma empresa certificada no programa ProAcqua, da Sabesp, e ter aprovação em assembleia.

É preciso também que os padrões de instalação sigam os padrões definidos pelo programa ProAcqua. Por exemplo: os medidores devem estar localizados fora de cada unidade, numa área comum de fácil acesso se necessário.

Além dos Condomínios, as empresas também individualizam medições por setor. Centros comerciais individualizam para as lojas e escritórios.

Há outras aplicações que não requerem certificação ProAcqua, como no caso das indústrias, que podem setorizar a medição por linha de produção e por departamento. Tudo a favor do uso consciente e da produtividade que, no final das contas, torna a economia mais saudável e inteligente, e o usuário mais bem informado.

Sistema de cobrança individual, condomínio em São Paulo. Créditos: CAS Tecnologia.

Portal C3 – Entre 2014 e 2016, o estado de São Paulo presenciou uma forte crise híbrida. Em algumas regiões do Brasil o racionamento é uma realidade. Por conta do novo COVID-19, é possível que o abastecimento sofra algum corte, ou, racionamento?

M.A. Teixeira – A princípio não há relação entre o nível dos reservatórios (baseado especialmente nos índices de precipitações chuvosas) e o COVID-19. Eventualmente algumas pessoas podem associar isso ao hábito de lavar mais as mãos, por exemplo.

Embora não haja indicadores de que tais hábitos afetam o abastecimento geral, é possível imaginar que o consumo pode aumentar nas residências.

Com as pessoas ficando mais em suas casas e com as recomendações de higiene, pode haver um aumento natural no consumo, e isso será demonstrado nos gráficos do sistema de Medição Individualizada adotado (se o Condomínio adquiriu uma solução inteligente e completa).

Uso consciente e a realidade do saneamento básico

Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. Créditos: Acervo.

Para não comprometer o abastecimento, é muito importante consumir a água com consciência ambiental e não desperdiçar.

Quanto ao racionamento que eventualmente ocorre em alguns lugares do Brasil, é importante esclarecer que há pelo menos dois fatores que podem determinar esse cenário:

– O Brasil é grande e os índices de chuvas variam muito de uma região para outra e em épocas diferentes do ano.

– As distribuidoras de todo o Brasil tem redes antigas, com alto índice de desperdício desde o sistema de tratamento e distribuição. Esses desperdícios também variam de uma região para outra, conforme o esforço que cada distribuidora faz no monitoramento e na manutenção de suas redes de distribuição.

Diferente do que ocorre com distribuidoras de energia há quase 20 anos, com a adoção de redes inteligentes – Smart Grid -, as distribuidoras de água, em geral, ainda não possuem tal nível de monitoramento da medição, desde a distribuição até o consumo – Smart Water -, o que impossibilita ações preventivas e corretivas eficazes.

22 de Março

O Dia Mundial da Água foi criado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas através da resolução A/RES/47/193 de 21 de Fevereiro de 1993,[1] declarando todo o dia 22 de Março de cada ano como sendo o Dia Mundial das Águas (DMA), para ser observado a partir de 1993, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda 21.

Economia, menos desperdício e mais justiça.

Marco Aurélio Teixeira

A divisão da conta de água nos condomínios será obrigatória. De acordo com a Lei 13.312, dentro de cinco anos a regra entrará em vigor e todos os prédios novos do país deverão ter hidrômetros individuais entregues pela construtora. Essa medida pode gerar uma economia mínima de 25% já no primeiro mês, podendo chegar a 50% por apartamento. A medida não atinge condomínios construídos antes da resolução, mas deve movimentar o mercado de construção civil nos próximos meses.

Quando a medição individualizada foi lançada, há 13 anos, houve muita dificuldade para convencer os usuários sobre a importância e funcionalidade da ferramenta. Na fase seguinte, a sociedade passou a entender melhor o conceito da medição individualizada e mais do que isso, a questão da justiça social – cidadãos querem pagar de acordo com seu consumo, e não mais pela conta do seu vizinho.

A medição individualizada propõe que as pessoas deixem de pagar o famoso “rateio” na conta do condomínio no consumo de água para pagar o valor real consumido por cada unidade utiliza, ou seja, apenas pelo que realmente gastaram. Por meio da telemetria – medição à distância – é possível mensurar diariamente a diferença de consumo de água de uma família com muitas pessoas e de alguém que mora sozinho, por exemplo, além da facilidade na detecção de possíveis vazamentos.

Atualmente, com o agravamento da crise hídrica entramos em uma terceira etapa – da consciência ambiental. Ou seja, além da busca por redução de custos, entra em cena também o temor de que um recurso até pouco tempo atrás tido como infinito e barato, acabe.

Em São Paulo já existe uma lei em vigor há seis anos, que obriga os apartamentos a terem medição individualizada; onde somos responsáveis por 50 mil pontos de medição de água e gás. Esse crescimento também foi impulsionado pela crise econômica. Atualmente, a cada dez orçamentos que preparamos, sete são aprovados pelos prédios. Antes desse período, apenas uma proposta era aceita.

*Marco Aurélio Teixeira é Gerente de Negócios da CAS Tecnologia e Especialista em Gestão de Recursos Hídricos e precursor da Medição Individualizada no Brasil.

Consumo de água em S.Paulo supera período antes da crise

Um ano após o fim da crise de abastecimento em São Paulo, o consumo de água na cidade já é maior do que antes do período crítico. Para especialista, governo paulista está melhor preparado, mas não livre de enfrentar uma futura crise.

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