Consumo de água em S.Paulo supera período antes da crise

Um ano após o fim da crise de abastecimento em São Paulo, o consumo de água na cidade já é maior do que antes do período crítico. Para especialista, governo paulista está melhor preparado, mas não livre de enfrentar uma futura crise.

Para o diretor de novos negócios da CAS Tecnologia e especialista em recurso hídricos, Marco Aurélio Teixeira, com o fim da crise, é inegável que os governos federal, estadual e municipal se prepararam para evitar a ocorrência de uma nova crise de abastecimento, como a que ocorreu entre 2014 e 2016. Entretanto, ele ressalta que, mesmo com os níveis de água maiores que antes da crise, o paulistano já consome mais que durante aquela época.

Teixeira aponta que em meio à crise de abastecimento, o governo estadual realizou obras de ampliação, em 1m³, para abastecer cerca de mais 400 mil pessoas, na Estação de Tratamento de Água (ETA) Alto da Boa Vista, do Sistema Guarapiranga. A obra reduziu a retirada do Cantareira. Também foi feito um programa de desconto pela redução do consumo, que acabou um mês após o fim da crise, no início de 2016.

“Tivemos algumas ações, como interligação de bacias, que contribuem para o aumento do nível de água, mas também estamos em período chuvoso. Ninguém está livre de ter outra crise, mas estamos mais preparados que antes”, diz.

Verticalização

Para o especialista, os condomínios têm grande parte no aumento do consumo de água. Segundo ele, o consumo médio mensal por apartamento em São Paulo, em 2015, era de 11,4m³ (11.400 litros), enquanto hoje é de 11,8m³ (11.800 L). Apesar da variação ser de apenas 3,5%, o consumo diário (393 L) é quase quatro vezes maior que o recomendado pela ONU, de 110 L. A média de consumo dos condomínios é de 1.026 m³ (1.026.000 L) ante os 967 m³ (967.000 L).

Isso acontece, segundo ele, pelo fato de os condomínios não terem se familiarizado, e nem todos aderido, à medição individual de água. Conforme estudo do Sindicato do Mercado Imobiliário (Secovi), o Brasil conta com 180 mil condomínios, sendo 51 no Estado de SP.

Por isso, Michel Temer (PMDB) assinou, em 2016, enquanto presidente interino, a Lei 13.312, que obriga novos condomínios a terem medição individual de água. A medida entra em vigor em 2021.

Histórico

Antes disso, o vereador paulistano Aurélio Nomura (PSDB) propôs a Lei nº14.018/05, que instituiu o programa de Uso e Reúso da Água e obrigava a instalação de medidores individuais em condomínios, mas sem multa pelo descumprimento e por isso, avalia Teixeira, não teve grande adesão.

Por fim, o especialista explica que o processo só funciona se passar por todos vários setores. Segundo ele, construtoras vêm sendo obrigadas a aderirem a instalação de medição individual e, com isso, conseguem registrar redução de até 25% no consumo no local.